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Conhece a história da recolha da neve no Cabeço do Pereiro?

Conhece a história da recolha da neve no Cabeço do Pereiro?

Foi entre os séculos XVI e XIX, pelo menos, que o povo do Coentral subia até à Real Fábrica da Neve do Coentral, situada no Cabeço do Pereiro, para recolher, armazenar e posteriormente transportar até Lisboa, neve e gelo, para que os reis e rainhas, que nesse período governaram Portugal, e também as suas cortes, pudessem saborear gelados e bebidas frescas nos escaldantes dias de verão. E por isso a designação de "neveiros".

O mais famoso Neveiro que por estas paragens passou foi Julião Pereira de Castro que, em 1786, mandou construir no Cabeço do Pereiro a Capela dedicada a Santo António, razão pela qual esse local passou a ser conhecido preferencialmente por Santo António da Neve.

Este Neveiro foi o fundador do Café Martinho da Arcada, situado na Praça do Comércio, em Lisboa. Aberto oficialmente ao público em 1782, com o nome de "Casa da Neve", o botequim viria a ser trespassado, nos anos subsequentes, passando pela mão de vários proprietários que lhe atribuíram outras designações, nomeadamente, Casa do Café Italiana, Café do Comércio e Café Martinho (Martinho da Arcada), último nome adoptado devido ao facto de ter sido seu proprietário Martinho Bartolomeu Rodrigues, neto de Julião Pereira de Castro que, tal como o seu avô, foi contratador da Neve do Coentral.

No Coentral ainda persistem as duas casas que Julião Pereira de Castro mandou construir em 1774 e 1775, respectivamente, a "Casa das Chaves", nas proximidades da Fonte da Barroca e a "Casa Grande da Eira", casa solarenga que ostenta na fachada voltada para a Eira a palavra "Neveiros".

Imagem: ©Lousitânea - Liga de Amigos da Serra da Lousã

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